UM ARTIGO CIENTÍFICO

UM ARTIGO CIENTÍFICO

UM ARTIGO CIENTÍFICO

  1. DEFINIÇÃO

Um artigo científico é um instrumento de divulgação (comunicação) dos conhecimentos científicos a um determinado público de leitores. Em um artigo publicado, permanecerá, indelevelmente, a “marca” de quem o fez, cabendo aqui a seguinte pergunta: você se arrepende do que escreveu há dez anos?

A elaboração de um artigo científico deve ser sempre precedida de três questões fundamentais:

O que se quer comunicar?

A quem se quer comunicar?

Para que se quer comunicar?

Devemos lembrar que o principal beneficiado com a elaboração de um artigo é o seu próprio autor, uma vez que a difícil tarefa de escrever e repensar ajuda a esclarecer e fixar conhecimentos que, de outra maneira, permaneceriam incertos em nossas mentes.

  1. TIPOS DE ARTIGOS

Artigos de Opinião: São artigos que apresentam argumentos favoráveis ou contrários a um determinado ponto de vista sobre o assunto em pauta. Exige profunda e minuciosa análise do tema em questão, a fim de coletar dados válidos e suficientes para refutar ou corroborar a posição defendida.

Artigos de Análise ou Meta-análise: São artigos que objetivam a análise de cada elemento que constitui o assunto, as relações entre as partes e sua relação com o todo ou, até mesmo, com outros assuntos. Na análise devem estar presentes: descrição de cada tópico, classificação e definição dos tópicos, tendo em vista a finalidade da proposta. Meta-análise refere-se a uma revisão sistemática que objetiva sintetizar qualitativamente as informações oriundas de vários estudos que avaliam uma questão relacionada, combinando os resultados de estudos prévios.

Artigos Classificatórios: Artigos que objetivam ordenar, organizar e sistematizar o conhecimento sobre determinada temática através da classificação de seus componentes, que são primeiramente identificados e depois agrupados (de acordo com os critérios utilizados). O mais importante neste tipo de artigo é a explicação dos critérios utilizados para classificação.

Artigos de Revisão: Representam a síntese de tudo o que já foi escrito até a presente data. Deverão ser didáticos e apresentar o maior número possível de referências bibliográficas, bem como indicação dos principais trabalhos publicados sobre o tema.

Artigos de Atualização: Enfoque em determinado assunto elaborado a partir de novas descobertas ou informações, que promovam modificações no conhecimento anterior.

Relatos de Casos: Refere-se à descrição pormenorizada de determinados acontecimentos (fenômenos). Quanto maior o número de variáveis intervenientes explicitadas, maiores serão as possibilidades de interpretação criteriosa do caso.

Um artigo de relato de caso deverá conter: introdução, apresentação do caso, discussão e conclusões.

  1. CARACTERÍSTICAS DE UM ARTIGO CIENTÍFICO

 Um artigo científico deve ser:

Sistemático: Estruturado de forma coerente, com continuidade entre as partes.

Criterioso: Alicerçado nos critérios de validação científica e na correta conscientização dos termos. O autor deve indicar como, quando e onde obteve os dados de que se valeu para estabelecer suas afirmações e conclusões. Não se deve expor opiniões como se fossem fatos.

Embasado: as afirmações devem estar sustentadas e inter-relacionadas, bem como ser coerentes com um referencial teórico consistente. Em muitos artigos há a necessidade de explicação crítica das origens das informações e das fontes de que provêm as informações utilizadas ou das razões que lhe dão validez.

 Estilo de linguagem

Esta linguagem deve ser: Quando aumenta o grau de especificidade e determinação de uma linguagem, aumenta o poder de teste.

- Coerente - Objetiva Precisa - Clara Correta (sem erros de ortografia) - Com alto grau de especificidade.

Preciso: Os conceitos devem ser determinados com precisão, por exemplo: “João estava com muita febre”, quando o melhor seria: “João apresentou uma temperatura axilar de 39,5ºC”.

Apresentar caráter hipotético e provisório: Ter Brevidade e Síntese:

O autor de um artigo científico deve ter sempre em mente o seguinte pensamento: Como expressar minhas ideias ou apresentar os resultados de minha pesquisa da forma mais clara e sintética possível? O uso de palavras não deve ser superior ao necessário para transmitir cada pensamento ao leitor.

  1. ESTRUTURA DOS ARTIGOS
    Artigos de Pesquisa de campo ou experimental devem conter:

Introdução: apresentação do assunto, objetivos, limitações e justificativa; Materiais e Métodos: população, amostragem, técnicas de pesquisa, metodologia, abordagem teórica, etc;

Exposição dos resultados obtidos; Análise e discussão crítica dos resultados; Conclusões:

Devem ser sempre fundamentadas no texto.

Um artigo deve trazer sempre específicas as limitações do trabalho, as fontes de erro e as prováveis possibilidades de falhas existentes na coleta de dados, indicando o limite de validade das conclusões. Não se podem omitir fatos que contradigam a hipótese sustentada e tampouco subestimar resultados obtidos por outros investigadores. Hipóteses, conjecturas e possibilidades discutidas não devem ser objeto de referência, posteriormente, como se fossem fatos estabelecidos.

Artigos de pesquisa bibliográfica devem conter:

Introdução: apresentação do assunto, objetivos, limitações, referencial teórico do qual partiu e justificou;

Desenvolvimento: exposição das ideias, comparações com outros autores, etc.;

Discussão crítica sobre as ideias apresentadas, sua validade e sua aplicabilidade;

Conclusões: devem ser sempre fundamentadas no texto.

  1. FALHAS A SEREM EVITADAS NOS ARTIGOS

-Continuidade: falta de integração ou conexão lógica das ideias apresentadas, tornando o artigo semelhante a um apanhado de descrições sobre determinado assunto, parecendo uma verdadeira “colcha de retalhos”, sem uma continuidade adequada. Objetivos: Falta de explicação dos objetivos.

- O autor não diz aonde quer chegar com aquelas informações, dificultando ao leitor avaliar as conclusões obtidas.

- Referencial Teórico: o autor não apresenta quais os argumentos teóricos, epistemológicos ou paradigmáticos que embasam suas afirmações, tornando praticamente impossível saber de onde ele está partindo, ou seja, quais premissas

ele considera como válidas.

-Arreferencialidade: Ausência de referenciais claros, com mistura indiscriminada de enfoques e abordagens. O autor define, por exemplo, um dos itens do artigo pelo enfoque filosófico, outro pelo sociológico, outro pelo neurobiológico, e um último pelo pedagógico, para depois, juntar tudo na conclusão como se fosse uma coisa só, tratando-se sob uma mesma abordagem.

-Linguagem: Utilização de uma linguagem inadequada, indeterminada, predominando conceitos vagos que dificultam a classificação, a delimitação e o entendimento claro de seus significados. Além, é claro, do uso excessivo de linguagem figurada, circunlóquios (o uso de muitas palavras, quando poucas seriam preferíveis), e tautologias (vício de linguagem que consiste em repetir o mesmo pensamento com palavras sinônimas).

- A grande quantidade de expressões de caráter teleológico (ex.: os últimos dez anos disseram muito a respeito de...) também é um erro comum nos artigos científicos. Devemos lembrar que um artigo científico não é um romance literário.

- Apriorismos: Confusão entre afirmações e fatos; levando o autor a considerar como verdadeiro algo que não é. Isto é muito comum quando se utilizam apenas informações de segunda mão.

-Subinformação: Falta de cuidados para com a fidedignidade das fontes de informações, levando o autor a utilizar-se de subinformações de validade duvidosa.

-Interpretações: Excesso de interpretações apriorísticas, ingênuas e descriteriosas, próprias de quem se permite fazer afirmações peremptórias sobre assuntos que não domina satisfatoriamente.

-Repetitividade: Repetição quase que literal das ideias e informações já publicadas, com total ausência de originalidade.

- Associação de Ideias: Incapacidade de associar ideias visando ao entrelaçamento de dados, aparentemente dispares, proporcionando uma ampliação do entendimento do assunto e a criação de abordagens originais.

-Limitado desenvolvimento do espírito crítico: Dificuldade de se perceber a fragilidade de certas informações coletadas em livros e periódicas pouco criteriosas, -*ou seja, incapacidade de distinguir entre informações cientificamente válidas, e a

enxurrada de informações, no mínimo apriorísticas e superficiais nas estantes das livrarias.

  1. ASPECTOS QUE PODEM SER ABORDADOS EM UM ARTIGO CIENTÍFICO
  2. Apresentação de ideias novas, originais sobre determinado assunto;
  3. Discussão de temas conhecidos, propondo novas concepções e abordagens;
  4. Análise de uma temática conhecida por outro “ângulo” ou referencial, ou ainda, discutir certos aspectos ainda não explorados de determinado tema;
  5. Aprofundamento de um determinado tema, ainda pouco pesquisado ou elucidado;
  6. Integração de forma original de diferentes conhecimentos, até então isolados;
  7. Discussão crítica de determinado assunto, argumentando sobre as evidências divergentes;
  8. Revisão, de forma sistemática e completa, do que a literatura internacional apresenta sobre um determinado assunto, objetivando uma síntese geral.
  1. ASPECTOS ESTRUTURAIS E NORMATIVOS

Um artigo, no que diz respeito a sua apresentação gráfica, deve conter:

-Resumo – não superior a 250 palavras;

-Abstract – transcrição literal do resumo em outro idioma;

-Introdução; Desenvolvimento; Discussão; Conclusão; Notas, citações, referências.

-Convém lembrar que o atendimento a normas e padrões é produto de convenções internacionalmente aceitas, e nada tem a ver com a cientificidade do artigo.

Ainda há muitas pessoas que confundem um artigo científico com um texto composto de um apanhado de informações dentro das normas técnicas.

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